terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dialética do corpo

As mãos se procuram, suadas,
como se uma precisasse do
fluido salgado da outra,
e como se ambas traduzissem
o desejo inefável do
corpo que sua no fluir
dos movimentos de ida e vinda,
descer e subir,
Gozo.

Os dois andam com os olhos absortos,
encaram a realidade
e a vida se renova em
pequenas gotas de um líquido pálido.
E nos delírios da noite
as promessas de amor eterno
se confundem com os gemidos
e com o torpor dos sentidos
agora envoltos em um oceano
de Desejo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Alguns motivos para comemorar


Eu sei que a vida, muitas vezes, parece injusta: alguns se vão quando queremos que fiquem; outros permanecem ao nosso lado quando tudo o que queremos é que partam. Às vezes, sorrimos timidamente ainda que o motivo seja nada menos do que a própria vida desabrochando. Não nos damos conta que, a cada amanhecer, o sol nos diz que a vida é uma flor, cujo perfume deve ser inalado como o próprio espírito que nos anima.
Fazendo um balanço do ano que passou, tenho muitos motivos para sorrir. O principal deles veio a mim em um dia chuvoso de março, uma segunda-feira mais precisamente, através de uma conversa desinteressada pela internet, mas que, alguns dias depois, traria a mulher mais especial do mundo para mim. Trata-se de Raquel Canêjo, minha noiva-quase-esposa, a quem me doo com todas as forças do meu coração.
E se eu for colocar na balança todos os fatos importantes que me aconteceram esse ano, encontrar o meu Amor foi o que houve de melhor. Porque através dele pude renascer e as coisas da vida, outrora sem graça, agora me aparecem como se nunca tivessem estado lá. E o espírito de vida voltou a soprar nas minhas narinas, e eu pude saber que o amor é a força vital, porque ele carrega consigo o poder de transformar o mundo.
Atravessamos o ano juntos, suportando dificuldades, rindo, em outros momentos, mas, acima de todas as coisas, consolidando o nosso Amor. Ao longo desses dez meses (Os melhores da minha vida!), tivemos alguns motivos para desanimar, mas, principalmente, garimpamos diversos momentos de alegria, aqueles instantes que nos dão certeza de que a vida vale a pena e que o amor é a coisa que mais nos interessa. E o principal deles foi ter, no dia dezenove de dezembro, dado um passo a mais rumo à felicidade plena. Nós noivamos, demonstrando, assim, que o que desejamos é consenso: o mais interessante é estarmos, os dois, com os olhos voltados para o mesmo lugar.
Depois do balanço, há as projeções. O Ano que se inicia traz consigo a esperança de novas coisas. E se em 2009 demos um passo importante, resta a expectativa, agora, de concretizarmos o desejo que está latente no nosso coração. Certamente, os primeiros dias do ano já deixam entrever que existe algo mais a ser realizado nos próximos dias e, quando chegar o momento, seremos o casal mais feliz do mundo. Eu te amo, Raquel.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Amor: palavra-mulher essencial (Só para Raquel Canêjo)


O que pode haver de certo na vida? “A morte”, dirão os pessimistas. De fato, como muitos pensam, o cessar dos dias e, finalmente, o início da decomposição são a parcela mais restrita do estar vivo. Viver é, nada mais, do que um acúmulo de miasmas de morte. Alguns outros dirão que o sofrimento é parte essencial da existência, pois sem ele não se consegue ter uma noção aproximada do que é realmente existir. Outros, ainda, responderão que nada é certo, que a vida é imprevisível e dela não conseguimos captar o mínimo que seja.
Longe de achar que essas respostas estão erradas, penso que algo que faz parte da nossa condição mesma de homens é o amor. “Este o nosso destino: amor sem conta”, nos diz Drummond. E como sei que os poetas possuem antenas que captam os nossos sentimentos mais íntimos, concordo piamente com ele. Mas não gratuitamente: considero o amor vital unicamente pelo fato de ter um, que não é apenas mais UM amor, mas O Amor.
E esse Amor, escrito assim mesmo, com letra maiúscula, me veio em uma hora em que eu não cria mais ser possível quebrantar um coração rijo como o meu. Esse Amor trouxe consigo a vida e a beleza das canções que ecoam hoje no meu ouvido outrora desencantado. E sei que esse Amor veio não como as tempestades de verão, que passam depois de devastar tudo com a sua força. Esse Amor está fixo, como se, ao aportar, tenha cravado uma âncora bem no centro do meu coração.
Em cada minuto que penso que tenho o privilégio de ter um Amor que me alenta, sinto pulsar dentro de mim a vida, que se anuncia como se dissesse que há algo mais forte que me faz estar animado para encarar o marasmo das coisas e a falta de sentido do mundo. De fato, vou amando e, o melhor, sendo amado. E nessa troca mútua de amor, a vida se apresenta de uma forma única, como algo nunca antes vivido. E tenho convicção do que falo: o sentimento novo, de como se estivesse apaixonado pela primeira e última mulher do mundo, que tem consigo o poder de me trazer a felicidade dos gestos mais singelos e a beleza do sorriso mais espontâneo.
É demais! O amor que tenho por você, Raquel Canêjo, é único. Sabemos disso. Lembra quando conversamos? Nenhum outro casal sente o que nós sentimos, porque nos amamos esperando apenas receber em troca as palavras-chave que abrem o coração e o faz explodir de alegria: EU TE AMO! Amo cada vez mais, e, espero, hei de morrer de amor, nos seus braços, tendo cristalizada a última imagem, que é a beleza do seu rosto e o jorrar eterno de felicidade que emana do seu sorriso.
Não me canso de dizer que te amo. Nunca me cansarei de viver ao seu lado. E, voltando aos questionamentos do início, digo, agora, que a única coisa certa para nós é o amor e ele é o que nos mantém juntos, não apenas até o fim da vida, mas para além dela. EU TE AMO, RAQUEL CANÊJO. Você é o meu bem mais precioso!

sábado, 27 de junho de 2009

Palavras escritas ao léu

Sinto que em meu coração tudo se abate. E o que era sólido e intransponível se torna fluido como o vento, que se dissipa ao menor sinal da presença de algo mais forte. Terá sido uma prova? Ou um sinal de que a realidade é dura e nela não há espaços para idealizações? Acho que no final das contas tudo não passa de uma pitada triste do meu pessimismo exacerbado. Viver é chorar!
Sei que as tais evidências se engancham na nossa mentalidade e nos deixam irracionais. Mas elas são apenas indícios e não fatos! O que interessa mesmo é a palavra empenhada e a convicção no dizer "Eu te amo", porque cada uma dessas três palavras é a medida exata do sentimento que povoa o meu coração que, como disse no começo, sinto se abater. Mas, se, ao dizer "Eu te amo", essas palavras não conseguem ser eficazes não sei a que recorrer. Aprendi desde cedo que é ele o mais forte, e que tudo pode passar, mas só o amor resiste a essas intempéries.
Por enquanto, vou vivendo. Quero apenas sentir o prazer de amar, desinteressadamente, como quem procura uma agulha no palheiro, sabendo que o esforço é vão. Quero o amor, senti-lo, fazer dele a minha própria vida. E isso basta. Não precisa nada mais do que o acariciar e o sentir que da mesma maneira, desinteressada, assim como quem não quer nada, estou sendo amado. E se o amor me falhar, saberei que foi por um golpe da vida. Como falei, viver é chorar!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Campo de Flores (Com amor, para Raquel Canêjo)

"Deus me deu um amor no tempo de madureza". E quando eu achava que a vida não passaria de um aglomerado de minutos e perderia todo o sentido, eis que ressurgi. Como uma lufada de ar dentro de um ambiente há muito fechado, vivo agora o sentimento extasiante de estar amando. E o amor me veio como se fosse algo bom: primeiro os beijos dados com sabor de pipoca para compensar a falta de iniciativa do cinema; depois, as mãos que suam como sintoma da presença um do outro e exprimem o calor da companhia imprescindível; e, ainda, a satisfação de estar junto de alguém que colore cada vez mais vivamente a minha existência poenta.
Ela tem um sorriso algo maravilhoso, um jorrar constante de alegria em cima de mim e, por isso, me deixa extremamente satisfeito. O olhar dela comunica ao mundo a vivacidade e a força que o amor garante a quem já estava desacreditado. Porque ela é simplesmente a vida. E o seu sorriso alenta o meu coração e me faz sentir que ainda vale a pena viver, pois que tenho um amor. Não apenas uma paixão exasperada e fulgaz, mas algo definitivo, "amor definitivo", definitivamente.
Quero me entregar profundamente a esse amor. Quero senti-lo, colhê-lo como se fosse uma flor que não mais se repetirá. Quero extrair dele a essência da vida, porque ele é o movimento da alma e a força dos sonhos e a suavidade das carícias. Sentir esse amor, decerto, me fará enxergar a vida com olhos de além, porque ele me faz olhar o mundo e vê-lo sempre como algo novo que esteve desde sempre ali. O Amor me fará ter certeza que estou pronto para amar. E assim vou seguindo: cantando, sorrindo e amando. Amando você, Raquel.

domingo, 16 de novembro de 2008

I have a dream...


No último dia 04 de novembro, foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama. Espanta saber que, mesmo numa democracia tão consolidada quanto à daquele país, nunca um negro teve pelo menos a oportunidade de pleitear ao cargo de chefe da nação. A vitória de Obama foi uma prova de que não cabe mais distinção racial, nem, tampouco, discussão sobre a capacidade que tem os de raça diferente da nossa. Não é dada a ninguém o poder de julgar o outro pelo que vê externamente. O mundo dá provas de que a mudança vem nos braços de um homem que, além da cor da pele, é descendente de africanos islâmicos.
Impossível não lembrar do maior militante pela igualdade racial: Martin Luther King Jr. Em seu famoso discurso, I have a dream, proferido há exatos quarenta anos, o pastor já idealizava um mundo livre de todo preconceito, além da comunhão entre pessoas de raças diferentes. Sabemos, claro, que o preconceito está longe de acabar, mas, pelo menos, podemos sentir orgulho em ver um negro assumir o posto de homem mais poderoso do mundo. A eleição de Obama mostra que caminhamos, a passos curtos ainda, rumo ao mundo construído pelas palavras apaixonadas de Luther King.
Resolvi, como forma de homenagear ambas as figuras, colocar um trecho desse discurso que comove a cada palavra que os olhos conseguem captar:

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal."

I have a dream that one day on the red hills of Georgia, the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

I have a dream today!

I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of "interposition" and "nullification" -- one day right there in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers.

I have a dream today!

I have a dream that one day every valley shall be exalted, and every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight; "and the glory of the Lord shall be revealed and all flesh shall see it together."²

This is our hope, and this is the faith that I go back to the South with.

With this faith, we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith, we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith, we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day.

And this will be the day -- this will be the day when all of God's children will be able to sing with new meaning:

My country 'tis of thee, sweet land of liberty, of thee I sing.

Land where my fathers died, land of the Pilgrim's pride,

From every mountainside, let freedom ring!

And if America is to be a great nation, this must become true.



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Então vamos para vida!!!


É impressionante como temos sempre o pensamento de deixar tudo para depois. "É sempre para o futuro aquele orgasmo", como dizia Drummond. Talvez seja culpa da nossa herança cristã, que nos ensinou a viver sempre em função do porvir, da vida eterna, do paraíso. Talvez seja culpa nossa mesmo, que temos a ilusória sensação de que somos rígidos como diamantes quando, na verdade, somos frágeis como cristal. Raras vezes conseguimos perceber que a vida é agora, que não existem caminhos a ser vislumbrados, já que é com o caminhar que vamos construindo nossa trajetória.
Assisti a um filme que tratava bem de perto essa questão do Carpe diem, viver cada dia como se fosse uma flor que não se repetirá. Trata-se do filme Antes de partir, estrelado por Morgan Freeman e Jack Nicholson. Diria que o filme é ótimo se não fosse o motivo pelo qual eles decidem se lançar a viver a vida. Os dois, doentes de câncer, só se permitem respirar os ares do já quando se vêem fadados à corrosão dolorosa da doença. E como o vídeo imita a vida, contrariando o que dizem as más línguas do senso comum, aquelas duas personagens nada mais são do que o retrato fiel da nossa frágil condição, como também da nossa pretensão a querer ser Deus. Foi preciso algo mais sério para que eles percebessem a raridade da vida e o modo como se ela se entrega todos os dias a espera de que a desvirginemos
Como todos sabem, é preciso correr riscos. Entregar-se ao brilho louco do amanhecer que apenas anuncia que mais um dia suplica para que o desbravemos com a mesma avidez que corre uma corsa anseiando pelas águas. Viver é tirar fotografias: se deixarmos para depois, as paisagens mudarão e as nossas lentes só conseguirão captar as imagens frias e inefáveis da decomposição.